segunda-feira, 17 de agosto de 2026

PONTO DE VISTA



Todos nós enxergamos a vida através de um ponto de vista. Aquilo que para uma pessoa parece certo, para outra pode parecer errado; aquilo que para alguém representa uma oportunidade, para outro pode significar um risco.

Ter um ponto de vista é natural. O que precisamos aprender é que ter uma opinião não significa ser dono da verdade.

Muitas vezes, julgamos pessoas, situações e acontecimentos sem conhecer toda a história. Observamos apenas uma parte dos fatos e, a partir dela, construímos nossas conclusões. É justamente nesse momento que devemos parar, pensar e tentar enxergar além daquilo que nossos próprios olhos conseguem alcançar.

Um ponto de vista pode mudar com o tempo. Novas experiências, conhecimentos e conversas podem nos fazer perceber que aquilo que acreditávamos ser uma verdade absoluta era apenas uma interpretação limitada da realidade.

Por isso, ouvir o ponto de vista do outro não é sinal de fraqueza. É sinal de inteligência, maturidade e respeito.

A vida se torna muito mais interessante quando entendemos que existem diferentes maneiras de enxergar o mesmo acontecimento. O importante não é apenas defender aquilo que pensamos, mas ter humildade suficiente para reconsiderar quando novos argumentos nos fazem pensar de maneira diferente.

Afinal, cada pessoa observa o mundo a partir do lugar onde está. E, às vezes, para compreender verdadeiramente alguém, precisamos sair por alguns instantes do nosso próprio ponto de vista e tentar enxergar a vida através dos olhos do outro.

Ponto de vista é perspectiva. Perspectiva é compreensão. E compreender é uma das formas mais bonitas de respeitar o ser humano.

Autor: David Stormy


domingo, 16 de agosto de 2026

ADORINAN BARBOSA

 



João Rubinato nasceu em Valinhos, SP em 6/8/1910. compositor, cantor e ator. Conhecido como o “Pai do samba paulista”, foi um das figuras mais representativas da música popular brasileira ao criar uma identidade própria do samba. Uma das características mais marcantes de suas canções está no uso do dialeto ítalo-paulista e no retrato do cotidiano do povo urbano de origem italiana de alguns bairros paulistanos, como Barra Funda, Brás e Jaçanã.

Filho de Emma Ricchini e Francesco Fernando Rubinato, imigrantes italianos. Vieram para o Brasil em 1895 e, em São Paulo, passaram pela Hospedaria dos Imigrantes e logo foram trabalhar na agricultura na cidade de Tietê. Pouco depois mudaram-se para Jundiaí, Santo André e se estabeleceram em São Paulo. Com 7 irmãos e necessitando trabalhar, largou a escola ainda cedo. Seu primeiro emprego, aos 12 anos, foi de entregador de marmitas, das quais surrupiava alguns bolinhos de carne para matar a fome.

Logo após a adolescência, queria ser artista, cantor. Porém sem padrinhos, sem instrução e tendo que trabalhar, o sonho foi deixado de lado. Retomou depois adotando um nome mais apropriado: pegou Adoniran, de seu melhor amigo, e Barbosa, sobrenome de seu ídolo, o cantor de samba Luís Barbosa. Iniciou como compositor e gravou “Dona Boa’, marcha de carnaval na voz de Raul Torres em 1935, vencendo o concurso de canções carnavalescas, promovido pela Prefeitura de São Paulo. Aos 25 anos e vencedor de um concurso, animou-se a gravar o disco “Agora pode chorar”, que não foi bem sucedido.

Persistiu na carreira de artista e foi para o rádio como ator interpretando diversos tipos populares. A partir destes programas “encontrou a medida exata de seu talento, em que a soma das experiências vividas e da observação acurada deu ao país um dos seus maiores e mais sensíveis intérpretes”. Movido pelo desejo de se tornar intérprete e não apenas compositor, “passa a conviver com os sambistas entre uma parceria vendida aqui e outra acolá, que davam o testemunho da importância que a linguagem popular assumia como veículo social”.

Suas canções são o retrato exato desta linguagem e os tipos humanos que surgem deste discurso são representativos da cidadania brasileira. “Os despejados das favelas, os engraxates, a mulher submissa que se revolta e abandona a casa, o homem social e existencialmente solitário, estão intactos nas criações de Adoniran, no humor descrito nas cenas do cotidiano. A tragédia da exclusão social dos sambistas se revela como a tragicômica cena de um país que subtrai de seus cidadãos a dignidade”.

O primeiro sucesso veio com a canção muito conhecida até hoje nas rodas de samba: Trem das Onze (1951). Porém, só obteve o estrondoso sucesso quando foi regravada pelo conjunto “Demônios da Garoa”. O curioso é que o conjunto paulistano e a música falando de São Paulo foi bem sucedida primeiro no Rio de Janeiro. Em seguida casou-se com Matilde, que ajudou-o a se estabelecer na vida artística. Outro sucesso deu-se em 1956 com a música Iracema narrando mais uma crônica urbana de São Paulo. “Um retrato sensível da cidade, do povo e dos amores perdidos no caminho da modernidade”, relatou um crítico da época. Assim, passa a viver para o rádio, a boêmia e para Matilde. Nos últimos anos de vida, com o enfisema pulmonar avançando e não podendo mais manter a vida boêmia, dedica-se a recriar alguns dos espaços mágicos que percorreu na vida.

Inventou para si uma pequena arte, com pedaços velhos de lata, de madeira, movidos a eletricidade. São rodas-gigantes, trens de ferro, carrosséis e pequenos objetos como enfeites, cigarreiras, bibelôs, etc. criando um mundo mágico. Quando recebe alguma visita, que se admira com os objetos criados, ouve dele que “alguns chamavam aquilo de higiene mental, mas que não passava de higiene de débil mental…” Como se vê, cultiva o humor como marca registrada. Marca aliás, que aliada à observação da linguagem e dos fatos trágicos do cotidiano, fezz dele um sambista tradicional e inovador.

Faleceu em 23/11/1982, aos 72 anos, e foi homenageado várias vezes: Em 2020, no 110º aniversário, foi gravado o álbum Onze, com 11 músicas inéditas. O disco foi indicado ao prêmio Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode. Em São Paulo tem uma rua com seu nome no bairro da Bela Vista e outra com o nome “Trem das Onze” no Jaçanã. No Carnaval de 2022, a Escola de Samba Dragões da Real homenageou-o com o samba enredo. Na sequência, a revista Rolling Stone Brasil elegeu Trem das Onze entre as 100 maiores músicas nacionais e Adoniran entre os maiores artistas da música brasileira. Em 2023 a esquina símbolo de São Paulo (Av. Ipiranga com Av. São João) ganhou 2 estátuas: Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini, os representantes do samba paulista.

Deixou 12 discos gravados e 7 coletâneas de seus sucessos. Como biografia, temos os livros Adoniran: uma biografia de Celso de Campos Jr., publicado pela Editora Globo em 2003; Adoniran – Se o senhor não está lembrado de Flávio Moura e André Nigri, publicado pela Ed. Boitempo em 2002; Adoniran, dá licença de contar, de Ayrton Mugnaini Jr., publicado pela Ed. 34 em 2002 e Adoniran Barbosa – O poeta da cidade, de Francisco Rocha.

Por : José Domingos Brito

sábado, 15 de agosto de 2026

O ROUBO DO OPALA VERMELHO!


 Emílio é engenheiro, trabalhador e inteligente, homem realizado e casado com Sandra, advogada, procuradora do Estado. Formam um belo casal de bem com a vida, se amam, fizeram três bonitos filhos.

Só existe um probleminha: Sandra padece de um mal incurável, é desligada, distraída. O que já perdeu de óculos e celulares, dava para montar uma loja.

Há algum tempo, quando os carros eram coloridos, Sandra deu uma batida em seu carro, distração. Enquanto consertava, pegou um emprestado na loja de carros usados de seu irmão. Ele cedeu um Opala Vermelho, velho. Sandra chegou em casa com o carro emprestado. Na quarta-feira de manhã Sandra foi fazer a feira no supermercado, precisava abastecer a casa na praia de Barra de São Miguel na semana santa.

Depois de todas as compras possíveis no supermercado, cheia de pacotes nos carrinhos, ficou a procura de seu carro no estacionamento, nunca lembrava onde estacionava. Até que viu ao longe um Opala vermelho. A porta estava meio emperrada para abrir, mas conseguiu, colocou as compras no banco traseiro, deu o arranque e foi para casa.

Na hora do almoço, Emílio combinou para ela ir à Barra na frente, as crianças estavam ansiosas. Ele só desocupava no dia seguinte, tinha muito trabalho em casa. Era melhor ela viajar no seu carro, um belo Toyota. Ele ficava com o Opala emprestado.

Na quinta-feira, logo após o almoço, Emílio com dificuldade deu a partida no Opala, em direção à Barra, satisfeito da vida, dentro de uma velha bermuda e uma camisa leve, mais velha ainda. Esqueceu o celular, até que achou uma boa, não ser incomodado para resolver problemas, os sócios que se virassem, queria curtir o feriadão sem problemas, sem aporrinhação. Amava sua casa, sua praia, sua mulher, sua família.

Quando passou pelo Posto Policial de Marechal Deodoro, um guarda mandou parar. Ele prontamente obedeceu, mostrou as carteiras e os documentos do carro que estavam no porta-luvas. O guarda examinou, olhou nos olhos de Emílio.

– Por favor queira saltar, esse carro é roubado.

Emílio ficou surpreso e incrédulo olhando para o guarda, dirigiu-se para o interior do Posto. Tentou se explicar, dizendo ser engenheiro, que o carro era do cunhado, tinha emprestado à sua esposa. Muita explicação dá para desconfiar. O policial pediu a carteira de engenheiro. Ele não usava, ficava em casa guardada. O policial pelas roupas que Emílio vestia, desconfiou, era suspeito. Mandou aguardar, chamou o Detran, o Departamento de Furto, ele que esclarecesse os fatos a esses senhores. Sem o celular, não dava para Emílio se comunicar, achou que resolveria a bronca.

Ficou à espera do Detran, enquanto xingava o cunhado por ter emprestado um carro roubado. Quase duas horas depois, apareceu o pessoal do Detran. Emílio prestou os esclarecimentos, mas não teve muito crédito. Os policiais pediram para recolher o carro e que ele o acompanhasse até o Detran. Emílio foi dirigindo o Opala com um policial ao lado, e atrás, escoltando, um carro da Polícia.

No Detran teve que se explicar de novo a outros policiais, que o acharam também suspeito, mandaram aguardar, estavam se comunicando com o proprietário do carro. Emílio estava fulo de raiva do cunhado, sem poder comunicar-se com ninguém; suspeito, os policiais não deixaram telefonar. Um policial, disse ter certeza que ele pertencia a uma quadrilha de puxadores de carro, que atuava em Arapiraca.

Esperou até chegar o proprietário do Opala vermelho, um cidadão magro cheirando a cachaça, feliz por ter encontrado seu santo carro.

O proprietário foi a fonte salvadora, esclareceu o acontecido: ele estacionou o seu Opala no supermercado, quando Sandra viu um Opala vermelho, pensou ser o dela. Sua chave abriu a porta e deu a partida, foi embora levando o carro alheio. O Opala dela ainda está estacionado no supermercado, ele viu.

Tudo esclarecido, desculpas pedidas de ambas as partes, Emílio partiu num táxi ansioso para Barra, estava anoitecendo. Queria chegar logo, irado com a distração de Sandra. Ninguém iria acreditar. Ao chegar na Barra Sandra brincava com as crianças na calçada quando o táxi parou em frente a sua casa. Sandra não notou a fisionomia do marido, na maior alegria perguntou.

– Porquê chegou a essa hora? Não sabe o que perdeu, a praia hoje estava maravilhosa!!!

Autor do texto : Carlito Lima

ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO 36 ANOS DEPOIS

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

JEGUEIRA!



 Significado de “jegueira”

Jegueira é um substantivo feminino que pode ser empregado, em linguagem informal, para designar comportamento, atitude ou maneira de agir considerada grosseira, tola, desajeitada, teimosa, inconveniente ou desprovida de bom senso.

A palavra vem de “jegue”, nome popular dado ao jumento ou asno, animal que, no imaginário popular brasileiro, acabou associado metaforicamente a determinadas características humanas, como teimosia, rusticidade, falta de habilidade ou pouca inteligência.

Assim, quando alguém diz que determinada atitude foi uma “jegueira”, geralmente está fazendo uma crítica ou comentário jocoso, querendo dizer que a pessoa agiu de maneira muito tola, desajeitada, imprudente ou sem noção.

⚠️ Um detalhe importante

“Jegueira” não deve ser confundida com uma palavra de significado técnico ou científico. Trata-se de uma formação popular e coloquial, e seu significado pode mudar conforme o contexto.

Por exemplo:“Que jegueira!” pode significar, dependendo da situação:

“Que burrada!”

“Que atitude tola!”

“Que coisa desajeitada!”

“Que comportamento sem noção!”

“Que falta de bom senso!”

Já:

“Ele fez uma jegueira.”pode significar que ele cometeu uma grande bobagem, fez algo desastrado ou tomou uma atitude considerada muito inadequada.

🐴 E por que “jegue”?

Jegue é uma denominação popular brasileira para o jumento/asno. A partir desse sentido literal, surgiram usos figurados e expressões populares em que o animal representa alguém teimoso, rústico, desajeitado ou pouco perspicaz.

“JEGUEIRA” funciona muito bem como uma palavra de efeito humorístico e crítico, sugerindo desleixo, desorganização, falta de disciplina ou uma atitude ridiculamente inadequada.

“jegueira” não significa simplesmente “ser burro”. Conforme o contexto, pode enfatizar muito mais a burrada ou o comportamento desastrado do que a inteligência da pessoa.

Autor : David Stormy


A ORIGINAL E A VERSÃO #19 (AVE MARIA NO MORRO)

 


   A música é uma linguagem universal. Algumas canções atravessam décadas, oceanos e idiomas, ganhando novas interpretações, novos sentidos e novas emoções. Muitas delas nasceram em um país e foram recriadas no Brasil e em várias partes do mundo, provando que uma boa melodia não pertence a um só  povo, mas à humanidade inteira. 

Trio de Ouro (Erivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas - Ave Maria no Morro - Scorpions - Ave Maria no Morro (Interpretação ao vivo).
 ***A música Ave Maria no Morro é de Autoria de Herivelto Martins***



O Trio de Ouro foi um dos grupos vocais mais importantes da música popular brasileira (MPB), formado em 1937 no Rio de Janeiro. Sua formação clássica e mais famosa consistia em Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas. O grupo destacou-se na Era do Rádio, apresentando-se frequentemente no Cassino da Urca.
  • Formação Clássica: Dalva de Oliveira (voz), Herivelto Martins (violão/voz) e Nilo Chagas (violão/voz).
  • Fundação: Criado por Herivelto Martins em 1937, inicialmente chamado de "Dalva de Oliveira e a Dupla Branco e Preto".
  • Sucessos: Ficaram famosos com músicas como "Ave Maria no Morro", "O Bonde de Santa Tereza" e "Calado Venci".
  • Mudanças: Após a separação de Dalva e Herivelto, o grupo teve outras formações, incluindo Lourdinha Bittencourt e Shirley Dom.
Outro contexto: Em ficção, "Trio de Ouro" também refere-se aos protagonistas da série Harry Potter: Harry Potter, Hermione Granger e Ron Weasley

Scorpions é uma banda Alemã de rock, originária de Hanôver, fundada em 1965 por Rudolf Schenker, sendo a primeira banda de hard rock formada no país germânico. No início eram chamadas de Nameless, depois passou para The Scorpions até o final de 1969, depois foram chamados simplesmente de Scorpions.QUER SABER MAIS SOBRE A BANDA SCORPIONS? ENTÃO, CLIQUE AQUI

A ORIGEM DA EXPRESSÃO "UAI" - MINAS GERAIS

 

ANEDOTAS & PIADAS #34